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Os impactos do isolamento

 

O ser humano é um ser social. Quantas vezes já ouvimos ou lemos essa frase? Depois da pandemia de covid-19 e sua consequente necessidade de isolamento, essa afirmação parece ganhar ainda mais sentido. Em menor ou maior grau, todos estão vivenciando a falta daquele olho no olho ao vivo, dos abraços apertados ou daquela bagunça organizada dos grandes almoços em família e do happy hour com os amigos. Em um país como o Brasil, com uma população que adora se reunir e festejar coletivamente, esse distanciamento parece ainda mais difícil.

 

  Para falar sobre as consequências do isolamento, o Mirante conversou com Maria Julia Kovács, professora livre-docente sênior do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Em uma entrevista esclarecedora, ela nos ajuda a entender como estamos nos sentindo nesse momento e como ter um pouco mais de paciência para enfrentar os contratempos, sobretudo agora com o início da vacinação que nos permite ver uma luz no fim do túnel!

 

Do ponto de vista psicológico, quais as consequências da pandemia?

A pandemia promoveu uma reviravolta na vida das pessoas em todo o planeta, com diferentes intensidades, uma vez que as formas de enfrentamento variam entre os indivíduos. O isolamento provocou em muitos um aumento dos mais diversos tipos de ansiedade, depressão e insegurança. Ou seja, como em qualquer crise profunda, houve uma desorganização intensa da “normalidade” à qual estávamos acostumados, com um aumento do medo em relação ao próprio contágio e de outras pessoas. Aqueles que perderam familiares e amigos viveram seus processos de luto sem poder se despedir dos entes queridos, em velórios e enterros tradicionais. Decorre disso tudo os sentimentos de tristeza, dor e até mesmo, em casos mais graves, dificuldades em ver sentido para continuar vivendo.

Em relação à saúde, estamos expostos ao contágio em menor ou maior grau. O medo ajuda no cuidado, mas, se excessivo, faz com que o indivíduo se tranque em casa. Hoje, já se fala em “síndrome da cabana”, no caso de pessoas que simplesmente não querem mais sair de casa, isolando-se de forma radical, o que amplifica ainda mais os problemas que citei.

 

Como enfrentar essas dificuldades de forma positiva?

É importante encontrar formas de enfrentamento na rotina doméstica, cumprir uma agenda de atividades (mesmo para quem não trabalha), procurar estreitar os contatos com familiares e amigos por telefone, Skype, FaceTime, com voz e imagem. É também essencial incluir atividades físicas e de lazer, não se fixar o tempo todo nos noticiários, principalmente nos momentos de recrudescimento da doença, evitar ler e compartilhar notícias sem fontes fidedignas (as fake news são um grande perigo nesse contexto, pois geram mais insegurança e medo) e, se necessário, buscar ajuda psicológica online a partir de indicações de bons profissionais.

 

 

No que diz respeito às relações sociais, quais os efeitos do isolamento?

Como já comentei, essa situação provoca diferentes reações entre os indivíduos. Mas, de modo geral, o isolamento pode causar solidão, falta de sentido de viver e forte carência dos contatos com familiares e amigos. Após tantos meses de pandemia, muita coisa já mudou e há possibilidades de adaptação. O que se observa, porém, é o cansaço das pessoas e uma necessidade mais aguda de encontros, inclusive com muita gente ao mesmo tempo como vimos infelizmente no final do ano, o que foi um dos fatores que levou ao recrudescimento da covid-19.

 

 

 

No caso do trabalho, o que se nota?

Mesmo nos setores em que é possível trabalhar em home office, percebe-se uma diferença notável nas interações sociais que, vale dizer, também são parte relevante das relações de trabalho. É difícil interagir online. Os quadrados, às vezes, sem imagem, não permitem a visibilidade plena e se há um grande número de pessoas nas reuniões, pode ser necessário fechar câmeras e desligar microfones, o que torna tudo ainda menos natural e mais impessoal. Uma forte sensação de invisibilidade se faz presente com as consequências que temos observado de cansaço, desânimo e carência de outros tipos de contato com os colegas, chefes e subordinados como os que ocorrem nos bate-papos antes e depois de reuniões, no elevador, no cafezinho, na hora de almoço... mesmo que seja apenas uma troca de olhares, um sorriso ou a percepção de um semblante mais tenso ou apreensivo.

Essas trocas fazem realmente muita falta. Nos encontros online, precisa haver uma organização e ordenação das falas para que todos possam escutar. O que é espontâneo passa a ser regrado e as pessoas têm que esperar sua vez de falar, o que acaba criando um descompasso na comunicação. A conexão visual, a observação corporal e os contatos afetivos são prejudicados nesse formato. Há também todas as interferências da instabilidade da internet, distorções na comunicação, congelamento de imagens...

 

De que forma essa sensação de invisibilidade se reflete nos relacionamentos sociais?

O isolamento pode gerar uma sensação de abandono e desconexão. Outra consequência que temos identificado é o descaso com a aparência (ou, em casos mais graves, até com a higiene pessoal), porque não vamos ser vistos. O desânimo, a frustração e o cansaço provocados por essa situação estão levando também a um perigoso descuido com a saúde.

 

O que deve mudar com o início da vacinação?

Finalmente, com a chegada da vacina, vemos uma luz no fim do túnel. O cenário não vai mudar radicalmente do dia para a noite, mas já podemos vislumbrar uma solução para o isolamento e a falta de contatos sociais mais próximos, dentro dos padrões que estávamos acostumados, e dos quais sentimos tanta falta. Será necessário, porém, conter uma possível euforia que pode adiar o controle da pandemia. Ou seja, não poderemos, tão cedo, sair nos abraçando e aglomerando. Pelo que temos ouvido dos especialistas, o uso de máscaras e os cuidados nos contatos sociais ainda deverão continuar sendo necessários num futuro próximo. É como em uma maratona: há um momento em que nos sentimos exaustos, mas basta olhar o caminho já percorrido e a distância para a chegada. Isso ajuda a nos dar novo fôlego para continuar e superar o cansaço!

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