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Como está sua memória?

 

         Um dia, você esquece o telefone de um amigo. No outro, não lembra onde colocou aquele livro que estava lendo. O celular, então, vive “desaparecendo”, junto com as chaves e a carteira. Pior ainda quando deixa passar o aniversário da esposa, do marido, dos pais, dos filhos...

         Será que esses são sinais de que sua memória está falhando ou apenas esquecimentos passageiros? Para entender como funciona a memória e de que forma podemos preservá-la, o Mirante conversou com o Dr. Alexandre Leopold Busse, geriatra do Serviço de Gerontologia e Núcleo Avançado de Geriatria do Hospital Sírio-Libanês e um dos coordenadores do Programa Cérebro Ativo, do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa. Acompanhe:

 

O que é memória?

Memória é uma das funções cognitivas, ligadas ao nosso conhecimento do mundo. Sabemos que existem vários tipos de memória: do que é falado, do que é visto, de cheiros, músicas, sons, sabores... Essa é uma forma de classificação, mas há outras, até a nível celular, por exemplo.

É comum as pessoas se preocuparem por esquecer o nome de alguém logo depois de terem sido apresentadas. Na maioria dos casos, porém, trata-se apenas de um problema de atenção. Somos hoje bombardeados por um fluxo contínuo de informações e isso nos faz pensar que temos um deficit de memória, quando, na verdade, não temos capacidade para reter e armazenar tudo.

É possível, no entanto, criar estratégias para ajudar a memorização como repetir várias vezes o nome daquela pessoa que acabamos de conhecer durante a conversa para fixar esse dado.

 

 

Quais são os tipos de memória?

Temos a memória de curto prazo que fica na região frontal do cérebro e está relacionada com a atenção simples (o nome da pessoa que conhecemos), atenção complexa (uma tarefa que devemos executar), planejamento e estratégia.

Já a memória episódica é responsável ​​pelo armazenamento de informações e fatos marcantes (bons ou ruins) que aconteceram conosco ou ao nosso redor. Quem tem uma doença nessa região (medial temporal) acaba esquecendo muito rapidamente. Ou seja, a informação entra pela parte frontal e, por uma falha, não chega até o hipocampo. Esse é o tipo mais afetado pela doença de Alzheimer.

Existe também a memória semântica, relativa a conhecimentos que adquirimos: quem descobriu o Brasil, os nomes das cores, os tipos de animais... É muito usada, por exemplo, para completar palavras cruzadas.

O sistema todo precisa estar funcionando bem para que possamos receber, decodificar, arquivar, evocar e recuperar informações de que necessitamos. Por isso, temos que apagar alguns dados de tempos em tempos, pois nosso cérebro possui uma capacidade limitada de armazenamento.

 

Quais são as queixas mais frequentes?

As queixas mais usuais dizem respeito principalmente à memória de curto prazo, de atenção, que diminui com a idade. Isso é natural no processo fisiológico de envelhecimento. Claro que pode piorar com doenças degenerativas e outras como depressão, ansiedade e distúrbios do sono.  A pessoa se queixa da falta de memória, porém, por vezes, a causa está em outro lugar, até mesmo em função de medicamentos para algumas enfermidades.

 

Que tipos de medicamentos podem afetar a memória?

Em geral, as medicações que atuam no sistema nervoso central (os antidepressivos, por exemplo), assim como os chamados anticolinérgicos, usados para distúrbios gastrointestinais, insônia e até relaxantes musculares.

 

O que diferencia um lapso passageiro de um quadro de perda efetiva de memória?

Normalmente, conseguimos diferenciar pelo histórico do paciente e pelo impacto das ocorrências no dia a dia. Se houver uma preocupação real, é possível fazer uma avaliação cognitiva neuropsicológica, em que são realizados testes para analisar cada função. Tanto de atenção e memória quanto de linguagem e atividades executivas, relacionadas a planejamento, estratégias e cálculo. Essas funções estão em áreas diferentes do cérebro e podem, portanto, fornecer uma pista de qual é efetivamente o problema.

 

Costuma-se dizer que o acesso digital às informações poderia levar à perda de memória. Isso faz sentido?

Essa é uma faca de dois gumes. Já que não precisamos mais memorizar alguns dados, como números de telefone e compromissos agendados, sobra mais espaço para guardar outros. A preocupação, no entanto, é o excesso de informação ao nosso redor o tempo todo. Temos a sensação de memorizar menos porque, proporcionalmente, estamos expostos a muito mais. Precisamos descartar vários desses itens (seja porque são desnecessários ou pouco significativos) para dar lugar a outros em nossa memória.

 

É possível interferir no processo de perda da memória?

A rigor, com os estímulos corretos, várias habilidades podem ser preservadas e melhoradas. Por outro lado, se a pessoa já tem uma doença no cérebro, podemos tentar estimular e reabilitar, mas tudo depende do grau e do tipo de problema. 

O mais importante sempre é estimular o cérebro. Quando se tem menos interações sociais e atividades intelectuais, as vias neurais formadas no decorrer da vida deixam de ser percorridas. Então, a pessoa pode começar a ter queixas de memória por conta do desuso.

 

Pode-se exercitar a memória por meio de quebra-cabeças, jogos de xadrez, palavras-cruzadas ou sudoku, por exemplo?

Essas atividades recreativas, quando muito praticadas, fazem com que a pessoa treine sua realização, mas isso não tem nada a ver necessariamente com a memória. O ideal é manter o cérebro ativo por meio de várias atividades, inclusive exercícios físicos que também são desafiadores para a cognição.

 

O que fazer, então, para preservar a memória?

Vamos citar em tópicos para facilitar:

  1. Devemos começar pela prevenção de forma geral. As pesquisas científicas indicam a importância de cuidar do funcionamento cardiovascular para evitar consequências de outras doenças sobre o cérebro.
  2. É essencial manter uma alimentação equilibrada. Um bom exemplo é a chamada “dieta do Mediterrâneo”, por ser rica em azeite, peixes, frutas, hortaliças e nozes, entre outros.
  3. O tabagismo e as bebidas alcoólicas em excesso devem ser evitados. O mesmo vale para medicamentos sem orientação médica ou em doses inadequadas que podem trazer problemas – é o caso do uso crônico de sedativos, diazepínicos e calmantes.
  4. Outro aspecto que vem sendo destacado nos estudos mais recentes é cuidar da audição (desde que se é jovem, evitando os fones de ouvido com volume alto) e, se necessário, usar aparelhos para aprimorar a capacidade auditiva, pois ouvir mal nos desconecta do mundo.
  5. Do ponto de vista comportamental, é muito importante estudar, procurar se informar, continuar aprendendo e ter atividades ocupacionais que desafiem o cérebro. 
  6. É vital ter uma vida social ativa, porque memorizamos melhor quando compartilhamos o que aprendemos. Então, não adianta só assistir muitos filmes ou ler vários livros, é fundamental dividir essas experiências. Por isso, recomendo sempre os Clubes de Leitura que estão se difundindo muito em diversas cidades e são realmente relevantes em vários aspectos, pois envolvem encontrar pessoas, narrar e trocar visões de mundo.
  7. Dormir bem – o sono é o momento de consolidação das memórias.
  8. A saúde emocional também é relevante, pois quando não está bem emocionalmente, a pessoa tende a ser mais desatenta e se isolar. 

 

Pode-se exercitar a memória por meio de quebra-cabeças, jogos de xadrez, palavras-cruzadas ou sudoku, por exemplo?

Essas atividades recreativas, quando muito praticadas, fazem com que a pessoa treine sua realização, mas isso não tem nada a ver necessariamente com a memória. O ideal é manter o cérebro ativo por meio de várias atividades, inclusive exercícios físicos que também são desafiadores para a cognição.

 

O que fazer, então, para preservar a memória?

Vamos citar em tópicos para facilitar:

  1. Devemos começar pela prevenção de forma geral. As pesquisas científicas indicam a importância de cuidar do funcionamento cardiovascular para evitar consequências de outras doenças sobre o cérebro.
  2. É essencial manter uma alimentação equilibrada. Um bom exemplo é a chamada “dieta do Mediterrâneo”, por ser rica em azeite, peixes, frutas, hortaliças e nozes, entre outros.
  3. O tabagismo e as bebidas alcoólicas em excesso devem ser evitados. O mesmo vale para medicamentos sem orientação médica ou em doses inadequadas que podem trazer problemas – é o caso do uso crônico de sedativos, diazepínicos e calmantes.
  4. Outro aspecto que vem sendo destacado nos estudos mais recentes é cuidar da audição (desde que se é jovem, evitando os fones de ouvido com volume alto) e, se necessário, usar aparelhos para aprimorar a capacidade auditiva, pois ouvir mal nos desconecta do mundo.
  5. Do ponto de vista comportamental, é muito importante estudar, procurar se informar, continuar aprendendo e ter atividades ocupacionais que desafiem o cérebro. 
  6. É vital ter uma vida social ativa, porque memorizamos melhor quando compartilhamos o que aprendemos. Então, não adianta só assistir muitos filmes ou ler vários livros, é fundamental dividir essas experiências. Por isso, recomendo sempre os Clubes de Leitura que estão se difundindo muito em diversas cidades e são realmente relevantes em vários aspectos, pois envolvem encontrar pessoas, narrar e trocar visões de mundo.
  7. Dormir bem – o sono é o momento de consolidação das memórias.
  8. A saúde emocional também é relevante, pois quando não está bem emocionalmente, a pessoa tende a ser mais desatenta e se isolar. 

 

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