Na foto: Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon
Aos 82 anos de idade, Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, é a maior prova do que afirma em suas palestras: os idosos de hoje estão longe daquela imagem do vovozinho ou da vovozinha na cadeira de balanço. A longevidade vem crescendo e, com ela, surgem novos desafios e propósitos de vida, com projetos pessoais e profissionais em transformação. Foi sobre essa mudança de cenário que Molina falou na última edição do “Visão Mais Perto”, que recebeu, no dia 13 de dezembro, cerca de 70 pessoas na sede da entidade para a palestra, seguida de Plantão de Dúvidas. Esses foram os principais destaques de sua apresentação sobre os desafios comportamentais, econômicos e sociais da longevidade:
“Nos próximos 40 anos, o Brasil deixará de ser um país jovem. Na década de 60, a taxa de natalidade era de 6 filhos por mulher, o que fazia sentido, pois éramos um país eminentemente rural e, nas cidades, a maior parte dos empregos estava nas fábricas - ou seja, quanto mais filhos, melhor para ajudar no sustento da família. Nos anos 80, eram 4 filhos por mulher. Em termos demográficos, os anos 80 foram ontem! A mudança aconteceu muito rapidamente: em 2015, a taxa já era de 1,7 filho. E isso representará uma redução significativa na população brasileira, pois para que haja reposição populacional, a taxa de fecundidade tem que ser superior a 2,1 filhos por mulher.”
“Ao mesmo tempo, as pessoas estão vivendo muito mais. Em apenas 35 anos, ganhamos quase 13 anos de longevidade, em média. Esse aumento da expectativa de vida ocorreu com muita rapidez e se deve a vários fatores como saneamento básico, melhorias na saúde e na educação.”
“Todas essas melhorias têm levado a um aumento marcante na sobrevida das pessoas. Nos anos 80, quem atingia 60 anos vivia, em média, 15,2 anos a mais. Em 2015, vivia mais 22,1 anos e, em 2060, deverá viver mais 25,2 anos. Mas é importante entender esse dado em relação à expectativa de vida ao nascer, pois são conceitos diferentes. Em 2015, as projeções indicavam que um recém-nascido viveria, em média, até os 75,4 anos (como mostra o gráfico anterior). Naquele mesmo ano, quem chegasse aos 60 teria, estatisticamente, a perspectiva de viver até os 82,1 (conforme o gráfico abaixo). Há, então, uma diferença de 6,7 anos entre a expectativa de vida ao nascer e a expectativa de sobrevida. Também em 2015, quem atingisse os 65 teria mais 18,4 anos (portanto, até 83,4) e quem chegasse aos 70 anos teria mais 15 anos (portanto, até 85). Essa variação ocorre porque quem vive mais já ‘provou’ que tem maior capacidade de sobrevivência.”
“Os impactos dessas mudanças demográficas são muito grandes. O quadro a seguir indica isso claramente. Em apenas 45 anos (de 2015 a 2060), o número de crianças de 0 a 14 anos vai cair 40,3% ou cerca de 19 milhões de futuros trabalhadores a menos. Na faixa etária de 15 a 64 anos, a queda será de 6,7% ou menos 9,5 milhões de pessoas. Enquanto isso, na faixa acima de 65 anos, o crescimento será de 262,7% ou 42,3 milhões de idosos a mais! É uma revolução em relação à sociedade que conhecemos hoje. A proporção entre idosos e população economicamente ativa irá de 11,5% para 44,4%. Portanto, a conta não fechará!”
“Vamos precisar rever vários dos nossos paradigmas e conceitos. Por um lado, os jovens têm que se preparar – e bem! – para a velhice. E a previdência complementar é o melhor caminho para isso. É necessário poupar – e muito! – desde cedo. Essa conscientização deve começar ontem, pois o tempo já está correndo em direção a essa realidade. Por outro lado, a sociedade deve dar às pessoas mais velhas condições de continuarem produtivas e, portanto, economicamente ativas, se assim o desejarem ou precisarem.”
“A reforma da Previdência Social é absolutamente indispensável. Ela pode ser reduzida à seguinte fórmula: mais idade, menos benefício, mais imposto. Sem isso, nenhuma mudança será efetiva. O Brasil já é, hoje, um ponto fora da curva nos gastos com a previdência em relação ao PIB. No gráfico abaixo, vemos isso claramente. Na linha horizontal, temos a relação idosos x população economicamente ativa e na vertical, os gastos. O Brasil apresenta os gastos mais altos frente à quantidade de idosos: em 2015, gastávamos cerca de 11,5% do PIB com a Previdência Social (hoje já é 13%). O Japão, por exemplo, que é um país muito mais rico e bem mais velho, gasta menos que o Brasil. Nós nos permitimos aposentar pessoas com 50 anos de idade! Isso não é sustentável em lugar nenhum do mundo.”
“As pessoas idosas sofrem preconceito todos os dias. Quais são os velhos que não percebem isso no seu cotidiano? Porque a sociedade ainda não nos reconhece como pessoas simplesmente normais e capazes de ensinar e aprender muito. Nós estamos vivos! Os recentes avanços da medicina trouxeram uma melhora na qualidade e na expectativa de vida e, consequentemente, um prolongamento da capacidade produtiva dos idosos. Precisamos entender e usar isso a nosso favor, como sociedade. Há uma dissonância, que deve ser urgentemente corrigida, entre como somos vistos (ultrapassados, frágeis, doentes e improdutivos) e como nos vemos e somos (experientes, ativos, em forma e capazes)!”
“O conceito de aposentadoria como um momento em que as pessoas se tornam incapazes para a vida laborativa precisa, portanto, mudar. A não ser nos casos de doenças incapacitantes, físicas ou mentais, é necessário ter um novo olhar sobre a aposentadoria. A grande questão que emerge desse admirável cenário é o financiamento dos idosos que não conseguem produzir renda suficiente para o seu sustento. A responsabilidade não é mais somente do Estado ou da família, mas do próprio indivíduo. Cada vez mais, a resposta está na conjugação de todos os esforços, sendo o principal a poupança construída ao longo da vida produtiva. Já que não há dúvidas de que seremos um país longevo, temos que cuidar com muita atenção de três questões essenciais: saúde, previdência e oportunidades de trabalho para os mais velhos.”
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