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Você está preparado para a aposentadoria?

É claro que não existe regra nem receita para a felicidade. Cada um descobre o melhor caminho para procurar – e, de preferência, encontrar! – o que lhe faz feliz. Mas, quando o assunto é aposentadoria, surgem muitas dúvidas sobre as melhores decisões a tomar nessa fase da vida. Para Cecília Shibuya, uma referência em programas de preparação para a aposentadoria e pós-carreira (clique aqui), é essencial evitar ficar parado. “As pessoas mal aguentam um mês de férias sem fazer nada, que dirá ter isso como perspectiva para o longo prazo. Não podemos esquecer que a expectativa de vida aumentou muito e, portanto, é preciso ter um bom plano para esse momento”. Acompanhe suas dicas e reflexões nessa entrevista exclusiva para o Mirante:

Por que se fala tanto de pós-carreira hoje em dia?

A primeira coisa a se considerar é que, nas últimas décadas, os brasileiros ganharam muito tempo de vida após a aposentadoria. Uma pessoa que chega aos 60 anos tem mais de 20, 30 anos pela frente e não sabe o que fazer com esse tempo. Isso é terrível! É comum ouvirmos amigos e parentes dizerem “eu não quero depender de ninguém na velhice”, mas essa liberdade exige planejamento. Não é algo dado, é algo conquistado.

O que precisa ser considerado nessa preparação?

Temos os aspectos de saúde, emocionais e financeiros. E todos devem começar a ser cuidados desde cedo. Em relação à saúde, temos que agir na prevenção de doenças e no fortalecimento de nosso corpo para chegar bem à idade mais avançada. Isso envolve exames periódicos, atividades físicas regulares (academia, caminhada, ioga, tênis, hidroginástica... tem que escolher algo que lhe agrade, se não o compromisso não durará), alimentação balanceada, ingestão constante de água e um sono reparador. Dessa forma, já estamos cuidando bem da parte orgânica.

E os outros dois aspectos?

O lado emocional abrange uma verdade que nem sempre é agradável de constatar: as pessoas não cultivam relacionamentos. E isso não tem nada a ver com o número de “amigos” que se tem no Facebook ou no Instagram. Nem de convidados para o almoço de família aos domingos ou de colegas de trabalho que você encontra diariamente, por questões profissionais. Falo de relações reais, com as quais podemos contar para compartilhar medos, dúvidas, alegrias, problemas. Sem elas, a aposentadoria pode ser um momento de solidão e ansiedade. Infelizmente, vemos muito essa realidade no dia a dia de nossa consultoria. É possível, porém, reverter esse quadro, mesmo para os mais tímidos ou reservados. Não é uma questão de quantidade, mas de qualidade.

Por fim, o aspecto financeiro é essencial. Se vivemos mais, precisamos de mais dinheiro para viver. Ou seja, temos que saber economizar e investir bem o que poupamos. E mesmo para quem consegue essa tranquilidade financeira, ter uma atividade após a aposentadoria é indispensável.

Por que é importante continuar ativo?

Porque, como eu disse, temos muitos anos pela frente depois da aposentadoria. Sobretudo para pessoas que cuidaram de suas carreiras, tiveram desafios e sucessos profissionais marcantes, é muito difícil viver sem projetos e propósitos. Podemos aprender e nos desafiar em qualquer idade. Gosta de cozinhar? Faça um curso de gastronomia e crie jantares sob encomenda nas casas de amigos ou de amigos de amigos, criando uma rede que se expande. Esse é um exemplo real muito interessante de como um hobby pode se tornar uma fonte de prazer e dinheiro. Aliás, nessa fase da vida, se possível, as escolhas devem estar diretamente relacionadas ao prazer e à busca da felicidade. Pode-se também continuar na mesma área de trabalho, é claro, oferecendo sua expertise em consultorias, palestras ou em atividades de voluntariado. Mas tudo isso envolve muita reflexão para encontrar as melhores escolhas.

Que tipo de reflexão?

É preciso entender que, ao se aposentar, você perde o “sobrenome” da empresa e tudo o que vem com ele. Portanto, esse momento precisa ser muito bem programado. Ele deve começar com a seguinte pergunta: O que eu gostaria de fazer se não fosse .... (sua profissão)? A resposta pode conter mais de uma opção e, a partir de outras perguntas e respostas, a lista diminui naturalmente. São questões do tipo: O que preciso aprender para isso? Como tenho que me capacitar? Qual é o networking que tenho que desenvolver? Que competências e características são necessárias? Vou precisar investir nessa nova atividade? Tenho esse dinheiro ou quero dispor dele, mesmo sendo um risco? O que não quero ou não posso fazer?

Cecilia Shibuya

Então, é necessário ter os pés no chão para identificar a melhor opção?

É fundamental, pois temos que entender nossos pontos fortes e fracos e a realidade de cada possível alternativa de nossa lista! Já ouvi pessoas dizendo que adorariam abrir um pequeno restaurante ou uma pousada e, ao colocarmos essas questões, responderem que não querem trabalhar nos finais de semana ou acordar cedo ou dormir tarde ou lidar com subordinados ou ter contato com muitas pessoas... ou seja, uma coisa é um sonho vago e outra é um planejamento efetivo. Com as respostas a essas questões práticas, podemos direcionar nossos esforços, tendo claro o que queremos e o que não queremos.

Na aposentadoria, temos a possibilidade de fazer algo de que realmente gostamos, sem, por exemplo, as pressões que sofremos de nossos pais ao escolher a primeira profissão ou de ter que sustentar uma família, com filhos pequenos. É interessante, porém, notar que os jovens hoje têm uma cabeça bem diferente.

Em que sentido os jovens hoje pensam diferente?

Eles dão mais valor aos seus propósitos. Antes focávamos muito na carreira e nas conquistas financeiras. Queríamos família, carro, casa e segurança. De maneira geral, vejo que os jovens se interessam mais em ter projetos de vida, deixando, por exemplo, de comprar um apartamento para investir em um curso de formação no exterior ou em um ano sabático, viajando para adquirir novas experiências. Acredito que tudo isso vai torná-los mais flexíveis do que os adultos que estão mais próximos da aposentadoria. Mas esses jovens precisarão aprender a cuidar bem de seus recursos, pois muito provavelmente terão menos proteção social na velhice. Basta ver a proposta de reforma da previdência que está sendo discutida. Equilíbrio, portanto, é sinônimo de sabedoria. Em qualquer idade!

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