Notícia Anterior Próxima Notícia

Seu dinheiro precisa ser bem cuidado

O Brasil encerrou o primeiro trimestre deste ano com aproximadamente 62,7 milhões de pessoas inscritas em cadastros de inadimplentes e que, portanto, enfrentam dificuldades para ter acesso a crédito, seja por meio de compras a prazo, financiamentos ou empréstimos. O dado representa mais de 40% da população brasileira adulta e foi divulgado, em abril, pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Com ou sem crise econômica, o indicador revela uma realidade dura de encarar, mas que precisa ser enfrentada sob o risco de prejudicar o presente e também o futuro de muita gente: a educação financeira do brasileiro deixa bastante a desejar. Esse foi um dos aspectos abordados por William Ribeiro, criador do canal Dinheiro Com Você, em sua palestra para o programa “Visão Mais Perto”, no dia 20 de março, em São Paulo. “Educação financeira tem muito mais a ver com comportamento do que com matemática”, garante.

“Quando decidi abandonar minha carreira anterior, como engenheiro e empresário, para atuar como educador financeiro, vários amigos me disseram que não valia a pena, que eu estava abraçando uma causa perdida. Mas segui em frente mesmo assim e sou muito feliz no que faço. Acredito na frase que dizia o homem mais rico da Babilônia: a prosperidade de uma nação depende da prosperidade financeira de seus indivíduos.” Confira algumas reflexões e dicas importantes que William compartilhou no encontro, sempre de forma descontraída e com uma boa dose de humor:

 

Nós precisamos falar de dinheiro

“Esse é um tabu imenso no Brasil. Existe muito preconceito em torno do dinheiro, como se fosse algo errado, um pecado. É como se cuidar do seu dinheiro, pensar nele, fizesse de você uma pessoa gananciosa. Essa postura tem um pouco a ver com religião.

Mas você trabalha ou trabalhou uma boa parte da sua vida e precisa cuidar bem do fruto do seu suor. Isso não é um erro. Ouço muita gente dizer ‘eu não falo de dinheiro porque eu não tenho’. Oras, você não tem dinheiro justamente porque não fala sobre ele, não se informa, não pensa a respeito, não procura entender seus hábitos e padrões em relação a ele. É o contrário!”

Memória inflacionária

“Outra coisa que prejudica bastante é o nosso passado de inflação nas alturas. Já se foram mais de 20 anos desde que o Brasil saiu desse cenário de hiperinflação, mas o comportamento do brasileiro ainda não mudou muito. Ou seja, mantivemos aquela cultura de ‘entrou dinheiro? corre pra gastar’. Por quê? Porque era assim mesmo. De um dia para o outro, o dinheiro perdia muito valor. Mas é necessário alterar esse esquema mental porque a realidade é outra. As pessoas precisam urgentemente aprender a fazer orçamento doméstico, planejar as compras e poupar.”

 

Poupar para quê?

“Para o que você quiser: a aposentadoria, uma viagem, a casa própria, um curso de especialização, um negócio... Quando você poupa e investe, o dinheiro gera dinheiro. Ou seja, é um passo adiante. Primeiro, você trabalha para ganhar dinheiro para viver e fazer suas coisas. Economizando e investindo uma parte disso, os recursos ‘trabalham’ para você. Precisamos construir essa cultura no Brasil: de colocar o dinheiro para trabalhar para nós. Isso não é pecado, é planejamento financeiro. O dinheiro pode não ser o veículo da sua vida, mas é a gasolina. É você que define a direção para onde vai, mas sem gasolina não chega a lugar nenhum.”

Na foto: William Ribeiro
Quem gosta de economizar?

“Ninguém. As pessoas gostam mesmo é de gastar. Só que esse é um dos pilares mais relevantes da boa gestão financeira! Não importa somente o quanto você ganha, importa o quanto você gasta. Não adianta você ter um megassalário e torrar tudo, comendo em restaurante caro, trocando de carro e celular toda hora e por aí vai. E olha que tem muita gente que faz isso! E tem também muita gente que ganha pouco e consegue economizar. Por isso, sempre digo que é uma questão de comportamento, de querer poupar. É em cima dessa postura que construímos o nosso patrimônio (a não ser, é claro, quem já herdou tudo...).

Gosto daquela frase que afirma que “o dinheiro é um excelente servo, mas um péssimo patrão”. Se você se guiar por ele, está perdido, sempre vai faltar, não interessa quanto você ganhe!”

 

Mas como economizar?

“É preciso seguir três dicas básicas: faça (e cumpra!) um orçamento doméstico, viva de acordo com as suas possibilidades e tome cuidado com o seu cérebro. Aí as pessoas perguntam: qual é a melhor forma de fazer orçamento? A que mais se ajusta a você – pode ser por aplicativo de celular, planilha Excel, caderneta de papel... Tem opções para todos os tipos e gostos, o que importa é você pesquisar, achar a que é boa para você, acompanhar de perto seus gastos, identificar os furos no orçamento e os desperdícios. Ou seja, usar o orçamento para compreender o seu comportamento e perceber o que precisa melhorar. O próprio orçamento já ajuda a cumprir a segunda dica e não se endividar para viver em um patamar que não é o seu e do qual você vai acabar sendo escravo.

A terceira dica é engraçada porque gostamos de achar que somos racionais nas nossas escolhas e que, no que diz respeito ao consumo, compramos apenas o que precisamos. Mas não é bem assim. Se o cara está bravo, ele compra alguma coisa para esquecer da raiva. Se está feliz, compra porque, afinal, ele merece... Desculpa para comprar é o que não falta!”

 

Tenha um bom colchão

“O colchão financeiro deveria ser o primeiro objetivo de todo mundo e poucas pessoas têm o seu. É uma reserva equivalente a, por exemplo, seis meses de salário que deve ficar investida para aquelas dores de barriga que a vida nos manda. Vejo muita gente entrando em um financiamento de casa própria de 30 anos e não tem colchão financeiro mínimo para uma emergência.” 

 

Qual é o melhor investimento?

“Não existe ‘o’ melhor investimento. Isso depende de cada pessoa, de suas características, vontades, medos, o quanto ela suporta ou não os riscos de cada alternativa. Então, o importante é procurar se conhecer e saber o básico sobre as opções existentes. Entender um pouco o que é liquidez, risco e retorno, por exemplo, é um bom começo. A liquidez é a rapidez com que você converte um investimento em dinheiro vivo. O risco, como o nome já diz, é a probabilidade de você perder dinheiro (e já adianto que não existe um investimento 100% seguro, nem a poupança porque se ela render pouco, você perde para a inflação). Em geral (atenção, em geral), quanto maior o risco de um investimento, maior a sua perspectiva de retorno que é a rentabilidade que ele oferece em um determinado período.

Meus conselhos são: 1. Invista sempre somente naquilo que você conhece (e procure entender um pouco de investimentos, por favor!) e 2. Não siga todas as recomendações do gerente do seu banco que pode ser uma pessoa muito legal, mas que tem metas a cumprir e que, por mais que goste de você (ou diga que goste), no fim do mês, ele precisa do salário.”

 

Cuidado!

“Fuja – mesmo! – daqueles investimentos que prometem multiplicar seu dinheiro do dia para a noite. Não existe milagre no mercado financeiro. Acho o Brasil muito permissivo, pois essas pessoas deveriam ser presas por mexerem com a esperança alheia e, às vezes, com a poupança de uma vida inteira. Portanto, não se deixe enganar. Se não quiser ou não puder aprender o suficiente para gerir seu próprio patrimônio, procure um agente autônomo ou uma boa corretora. Mas procure se informar ao máximo sobre sua reputação.

Entre as piores opções de investimento que temos, estão os títulos de capitalização, a poupança e os CDBs dos grandes bancos que costumam pagar muito pouco. E, entre as melhores, estão o Tesouro Direto, a Bolsa de Valores, os fundos imobiliários e imóveis. Mas, repito: para ser realmente uma boa opção, o investimento precisa ser bem analisado e estar alinhado com suas expectativas e características. E, no caso de vocês, com certeza, a Visão Prev é uma excelente alternativa!”

 

Equilíbrio é tudo

“É essencial fazer a diferença entre lidar bem com dinheiro e ser sovina. Você não precisa se tornar uma daquelas pessoas que conta quantos pedaços de pizza cada um comeu na hora que vem a conta na pizzaria. Tem gente que economiza demais, pensa que vai viver para sempre e nunca gasta. E tem gente que não economiza nada, pensa só no dia de hoje e gasta tudo. O equilíbrio é o segredo para muita coisa na vida e também para uma boa gestão financeira.”

Notícia Anterior Próxima Notícia